terça-feira, 12 de julho de 2011

Resposta ao comentario de Julliano em -Bola De Neve-

“E não me venha dizer que meu trabalho sepultou uma coisa tão grandiosa quanto o festival de inverno” Digo mais, se o seu trabalho pode abrilhantar, ele pode ofuscar. Não estou pronto para o apedrejamento, mas se não detiverem suas próprias pedras, não posso parar de lançá-las de volta.
Trabalhei, conheço e sei a dimensão e a dificuldade de um evento como tal. Porém como alguém que já o vivenciou digo, O Festival de Inverno do ano de 2011, tinha tudo para ser O festival. Todo o universo conspirava a seu favor, agora a questão é simples, vocês aproveitaram o que ele tinha a oferecer? Pois pensemos, aonde está o publico do festival? Onde estão os eventos novos e extraordinários, apresentados com gosto por seus idealizadores e apresentadores? Aonde estão os trabalhadores gratuitos do festival? Sim, as pessoas que vestiam a camisa e se orgulhavam de estar ali dentro, como eu. É com pesar que digo... O que paira nas ruas quentes dos festivais, hoje é o silêncio. Não existe uma alma viva gritando pelas cidades, e o festival tem andado em clima de solidão.
Vou citar algo que não gostaria, claro que você se lembra do que foi o festival de 2009, ele tinha tudo isso que eu falei, e tinha mais... muito mais... Corredores culturais, gente na rua, eventos uns sobre os outros... Alegria... Motivação... e o que é melhor... sem um tostão. Festival de uma crise e recessão que hoje não prejudicam mais nossos corredores. Eu já vi Juliano, um festival sem dinheiro, sem césares... Não penso que é fácil sem eles, mas e você? Sabe se eles estão gostando do que viram e estão vendo? Uma vez que esse festival tem seus gracejos voltados para os TAIS. Eu digo, e digo com algumas propriedades... Você me falou desse evento inaugural, que não consegui acompanhá-lo até seu desfecho, isso de tamanho amargor que senti em vê-lo a principio... Melhor assim, pois o amargor seria maior, em ver toda a graça do festival gasta de uma só vez em uma abertura falhada e mal urdida. Duos de Viola, baixo, putas cantoras, exposições... Tudo para uma meia dúzia de ouvintes que ficaram sabendo da cerimônia através de alguém, pois divulgação foi outra grande falha dos desorganizadores... E até onde ate onde me lembro, o Teatro Ouro Preto, tem lotação de 510 pessoas, salvo fotógrafos e autoridades políticas, você saberia dizer-me quantos lugares estavam ocupados nesse dia? Tantos cartuchos queimados numa onça morta... A simplicidade do festival caminha em outra vertente... Você sabe qual? Ela esta fora dos nossos umbigos, e enquanto eu não ver um boletim diário, impresso, ou em internet e acessível... e enquanto as pessoas não mudarem os seus rumores (pois entenda, estou traduzindo uma opinião geral), enquanto o seu festival não passar de uma abertura e de seu, não calarei.
Preciptadíssimo é morrer em suas palavras... "o festival vai ser uma merda", pois assim meu pai dizia, “O que começa torto, não termina de outra forma“ e agora vocês têm de conviver com esse incômodo que assola as suas mentes. Existem numerosas pessoas com o mesmo grito, que não se valem de saudosismos, muito pelo contrário, se valem da emoção perdida e esquecida por um festival que não demonstra mais seus antigos valores... Se você mesmo vale-se de um linguajar confluente com palavras de baixo calão, isso esmiúça o seu próprio descontentamento com um trabalho tão pouco cultural e restrito. Alias, já que toquei em restrito, esse muito provavelmente será lembrado por ser um festival entre “quatro paredes”, pois tudo acontece de poucos e para poucos.
Antes que tantas coisas façam-me esquecer, estive em seu “Corredor Cultural” e uma das poucas coisas que vi, foram seus monitores rindo e cochichando em contraponto a performance apresentada.
Em todo seu texto, sinto muitíssimo, mas não acho um só ponto em que eu possa concordar. Experimente ser humilde e não se deixe levar pelas mordidas que a critica lhe provoca. Simplesmente faço minhas agora as palavras de Zedu Monte: “Vinda de quem veio, acho que deveria tomar como ESTEIO e não como FOICE... Matheus Aredes e Ronald Peret, e tantas outras pessoas que se posicionaram entendem que mudanças quanto a elitização do festival são urgentes...”
Então, acordem desorganizadores e afins... estou falando sem me queixar de qualquer fato ligado a mim. Estou questionando a magia perdida dada aos rios econômicos enfileirados dentro de fracassos como a primeira semana, que ainda não aconteceu. Quando vocês perceberão que não é nada pessoal e sim ético, pois é de valores impalpáveis que discorro sobre a minha insatisfação. Estou vendo com pesar o festival morrendo sim, pois “Entre Quatro Paredes” como disse Sartre “O inferno são os Outros”, e para que os outros não sejam o seu inferno, pelo amor de todas as causas salvem o nosso festival desse fiasco.

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