“E não me venha dizer que meu trabalho sepultou uma coisa tão grandiosa quanto o festival de inverno” Digo mais, se o seu trabalho pode abrilhantar, ele pode ofuscar. Não estou pronto para o apedrejamento, mas se não detiverem suas próprias pedras, não posso parar de lançá-las de volta.
Trabalhei, conheço e sei a dimensão e a dificuldade de um evento como tal. Porém como alguém que já o vivenciou digo, O Festival de Inverno do ano de 2011, tinha tudo para ser O festival. Todo o universo conspirava a seu favor, agora a questão é simples, vocês aproveitaram o que ele tinha a oferecer? Pois pensemos, aonde está o publico do festival? Onde estão os eventos novos e extraordinários, apresentados com gosto por seus idealizadores e apresentadores? Aonde estão os trabalhadores gratuitos do festival? Sim, as pessoas que vestiam a camisa e se orgulhavam de estar ali dentro, como eu. É com pesar que digo... O que paira nas ruas quentes dos festivais, hoje é o silêncio. Não existe uma alma viva gritando pelas cidades, e o festival tem andado em clima de solidão.
Vou citar algo que não gostaria, claro que você se lembra do que foi o festival de 2009, ele tinha tudo isso que eu falei, e tinha mais... muito mais... Corredores culturais, gente na rua, eventos uns sobre os outros... Alegria... Motivação... e o que é melhor... sem um tostão. Festival de uma crise e recessão que hoje não prejudicam mais nossos corredores. Eu já vi Juliano, um festival sem dinheiro, sem césares... Não penso que é fácil sem eles, mas e você? Sabe se eles estão gostando do que viram e estão vendo? Uma vez que esse festival tem seus gracejos voltados para os TAIS. Eu digo, e digo com algumas propriedades... Você me falou desse evento inaugural, que não consegui acompanhá-lo até seu desfecho, isso de tamanho amargor que senti em vê-lo a principio... Melhor assim, pois o amargor seria maior, em ver toda a graça do festival gasta de uma só vez em uma abertura falhada e mal urdida. Duos de Viola, baixo, putas cantoras, exposições... Tudo para uma meia dúzia de ouvintes que ficaram sabendo da cerimônia através de alguém, pois divulgação foi outra grande falha dos desorganizadores... E até onde ate onde me lembro, o Teatro Ouro Preto, tem lotação de 510 pessoas, salvo fotógrafos e autoridades políticas, você saberia dizer-me quantos lugares estavam ocupados nesse dia? Tantos cartuchos queimados numa onça morta... A simplicidade do festival caminha em outra vertente... Você sabe qual? Ela esta fora dos nossos umbigos, e enquanto eu não ver um boletim diário, impresso, ou em internet e acessível... e enquanto as pessoas não mudarem os seus rumores (pois entenda, estou traduzindo uma opinião geral), enquanto o seu festival não passar de uma abertura e de seu, não calarei.
Preciptadíssimo é morrer em suas palavras... "o festival vai ser uma merda", pois assim meu pai dizia, “O que começa torto, não termina de outra forma“ e agora vocês têm de conviver com esse incômodo que assola as suas mentes. Existem numerosas pessoas com o mesmo grito, que não se valem de saudosismos, muito pelo contrário, se valem da emoção perdida e esquecida por um festival que não demonstra mais seus antigos valores... Se você mesmo vale-se de um linguajar confluente com palavras de baixo calão, isso esmiúça o seu próprio descontentamento com um trabalho tão pouco cultural e restrito. Alias, já que toquei em restrito, esse muito provavelmente será lembrado por ser um festival entre “quatro paredes”, pois tudo acontece de poucos e para poucos.
Antes que tantas coisas façam-me esquecer, estive em seu “Corredor Cultural” e uma das poucas coisas que vi, foram seus monitores rindo e cochichando em contraponto a performance apresentada.
Em todo seu texto, sinto muitíssimo, mas não acho um só ponto em que eu possa concordar. Experimente ser humilde e não se deixe levar pelas mordidas que a critica lhe provoca. Simplesmente faço minhas agora as palavras de Zedu Monte: “Vinda de quem veio, acho que deveria tomar como ESTEIO e não como FOICE... Matheus Aredes e Ronald Peret, e tantas outras pessoas que se posicionaram entendem que mudanças quanto a elitização do festival são urgentes...”
Então, acordem desorganizadores e afins... estou falando sem me queixar de qualquer fato ligado a mim. Estou questionando a magia perdida dada aos rios econômicos enfileirados dentro de fracassos como a primeira semana, que ainda não aconteceu. Quando vocês perceberão que não é nada pessoal e sim ético, pois é de valores impalpáveis que discorro sobre a minha insatisfação. Estou vendo com pesar o festival morrendo sim, pois “Entre Quatro Paredes” como disse Sartre “O inferno são os Outros”, e para que os outros não sejam o seu inferno, pelo amor de todas as causas salvem o nosso festival desse fiasco.
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Bola de Neve
Estranho é pensar que sepultei este festival baseado em seu velório de abre alas. Na verdade o pobre não estava se alimentando direito já fazia algum tempo. Downloads de programação que simplesmente não acontecem, site que provavelmente só funciona dentro da sala onde foi montado e apresentado, material de divulgação, mal feito, diagramado e pensado, que exprime toda uma dedicação em preto e branco e tons de cinza, talvez ligeiramente inspirada na tristeza do inverno neblinado do anoitecer ouro-pretano, quando tão docemente poderia ter experimentado as cores que os raios furtivos das seis da manhã roubam dos céus e colocam dentro das torres e das casas das Vilas de Minas.
Se tal velório de abre alas foi proposto por artistas locais (os quais se vi foram poucos) e envolvendo diversos grupos (que provavelmente estavam representados por no máximo uma pessoa de cada, a julgar pelo número de participantes) o “Quero a valorização da cultura, da arte, de nós” não passou de uma tentativa, e em acordo com uma crescente mancha no festival, uma tentativa errônea e mais uma vez fora de um tema tão abrangente e simples de lidar como este: Vilas de Minas.
O que “se pensa” que alguns buscam fazer, na verdade é traduzido por uma expressão: Mania de Grandeza, tentando fazer algo jamais visto (jamais visto mesmo, nunca havia visto tamanha balburdia para um cortejo, velório de abre alas) o que atrapalha a sutileza e o brilho do festival. Não se trata do que acontecia em festivais anteriores, se trata do que vamos trazer de realmente bom e funcional para este, pois até agora o que vi foi um festival em desacordo e caminhando sobre uma linha fina, incapaz de suportar seu peso.
Maravilhosamente temos mais duas semanas de eventos, oficinas, encontros com debates, temos? Brochante resume. Apesar de esdrúxula, não encontro melhor palavra para traduzir. Também não explicarei o que é essa programação para mim, pois de tamanha pobreza, me entristece pensar. Cultura não é uma palavra digamos... Presente. Não ha nada de novo, muito pelo contrário, tentativas frustradas de “enfeitar o velho”.
Circuito festival, festival com escola e afins, para mim não passam de novos nomes para velhas coisas, de “circo novo com lona velha”.
Ao contrário de uma busca verdadeira para renovar pessoas, estamos sim numa busca desenfreada por renovar a lona. As preocupações presentes nesse festival estão simplesmente relacionadas ao ego a ser massageado, e longe de empenho a favor da comunidade.
Adorei ter minhas criticas respondidas por uma pessoa de um patamar acima do meu, sinto-me agora no lugar onde sempre quis estar, “o lugar da identidade comum sem distinções.” Pela primeira vez deixo bem claro, tive o reconhecimento merecido que enquanto funcionário do circo não tive. Não são criticas de um lugar confortável, de quem quer estar dentro da panela de legumes cozidos. São criticas de quem por opção própria se assenta na janela dos espectadores e como muitos vê com tristeza o que se transformou o festival de inverno. Não se trata das dimensões do evento, trata-se do que fazemos por ele, sem medo, sem escolhas, sem dinheiro, sem poder, sem nada. Trata-se de uma palavra que ate agora não vi... Simplesmente amor, nenhuma causa chega a estas dimensões quando trabalhamos pensando assim. Não sintam-se feridos, eu não me senti pelas suas respostas. Façam agora disto uma ferramenta para melhorar o final do que começou torto. Esqueçam tudo e lembrem-se que festivais ficam para sempre na memória. Não transformem o de vocês numa vaga lembrança.
Se tal velório de abre alas foi proposto por artistas locais (os quais se vi foram poucos) e envolvendo diversos grupos (que provavelmente estavam representados por no máximo uma pessoa de cada, a julgar pelo número de participantes) o “Quero a valorização da cultura, da arte, de nós” não passou de uma tentativa, e em acordo com uma crescente mancha no festival, uma tentativa errônea e mais uma vez fora de um tema tão abrangente e simples de lidar como este: Vilas de Minas.
O que “se pensa” que alguns buscam fazer, na verdade é traduzido por uma expressão: Mania de Grandeza, tentando fazer algo jamais visto (jamais visto mesmo, nunca havia visto tamanha balburdia para um cortejo, velório de abre alas) o que atrapalha a sutileza e o brilho do festival. Não se trata do que acontecia em festivais anteriores, se trata do que vamos trazer de realmente bom e funcional para este, pois até agora o que vi foi um festival em desacordo e caminhando sobre uma linha fina, incapaz de suportar seu peso.
Maravilhosamente temos mais duas semanas de eventos, oficinas, encontros com debates, temos? Brochante resume. Apesar de esdrúxula, não encontro melhor palavra para traduzir. Também não explicarei o que é essa programação para mim, pois de tamanha pobreza, me entristece pensar. Cultura não é uma palavra digamos... Presente. Não ha nada de novo, muito pelo contrário, tentativas frustradas de “enfeitar o velho”.
Circuito festival, festival com escola e afins, para mim não passam de novos nomes para velhas coisas, de “circo novo com lona velha”.
Ao contrário de uma busca verdadeira para renovar pessoas, estamos sim numa busca desenfreada por renovar a lona. As preocupações presentes nesse festival estão simplesmente relacionadas ao ego a ser massageado, e longe de empenho a favor da comunidade.
Adorei ter minhas criticas respondidas por uma pessoa de um patamar acima do meu, sinto-me agora no lugar onde sempre quis estar, “o lugar da identidade comum sem distinções.” Pela primeira vez deixo bem claro, tive o reconhecimento merecido que enquanto funcionário do circo não tive. Não são criticas de um lugar confortável, de quem quer estar dentro da panela de legumes cozidos. São criticas de quem por opção própria se assenta na janela dos espectadores e como muitos vê com tristeza o que se transformou o festival de inverno. Não se trata das dimensões do evento, trata-se do que fazemos por ele, sem medo, sem escolhas, sem dinheiro, sem poder, sem nada. Trata-se de uma palavra que ate agora não vi... Simplesmente amor, nenhuma causa chega a estas dimensões quando trabalhamos pensando assim. Não sintam-se feridos, eu não me senti pelas suas respostas. Façam agora disto uma ferramenta para melhorar o final do que começou torto. Esqueçam tudo e lembrem-se que festivais ficam para sempre na memória. Não transformem o de vocês numa vaga lembrança.
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