terça-feira, 5 de abril de 2011

Um bom Começo

Passei três anos de minha vida em um lugar complexo. Seus densos montes são presentes dentro e fora da cidade. Para onde quer que seu dedo aponte la está um morro e no morro quase sempre tem igreja. São trezentos pesarosos e acorrentados anos contados à essa cidade, rica, riquíssima, tão poderosa que exprimiu riqueza até em seu nome, Vila Rica. Porém trezentos anos de história regida a sangue negro, grilhões e até mesmo míticos heróis, são de uma força, um vigor, um fluxo capaz de alternar seus pensamentos e transferir parte de toda trajetória de ferro e ouro para sua cabeça e seu espírito. Alguns acreditam que esse lugar guarda encantos do Candomblé e de outras crenças afro-decendentes, que em muitas paredes há ouro escondido e se você tiver a sorte de encontrá-lo, o quinto, ou seja, a quinta parte, deve ser revertida aos escravos, assim como a coroa taxava a quem o extraísse usando aquela mão de obra tão sofrida. Mas essa questão de repassar a eles não sei como funciona, pois não fui agraciado com uma parede cheia de barras de ouro, e para mim em que houve um tempo em que se quer paredes tinha meu quarto, sonhar com uma cheia de ouro era um ponto inatingível.
Verdade seja dita, Ouro Preto é um lugar onde as coisas acontecem em outro plano, essas coisas que eu contei, não são a mera asa do mosquito comparado ao tamanho do mundo em termos de estórias e vivencias em OP. Por quantas vezes peguei um ônibus nos arredores da cidade com céu azul, limpo, e passando por qualquer placa ou marca indicativa de Ouro Preto, começava uma nuvenzinha aqui, outra acolá, e quando se via era um mar negro sobre a cidade, fechando o céu azul em tons cinza monocromáticos, ou então as estórias misteriosas que se ouvia e via jurarem a sua veracidade; Nessa cidade até mesmo vi e fui amigo por anos de um homem que andava pela rua maltrapilho e atendia pelo nome de Charles, que contava emocionado suas andanças pelo mundo, seu famoso show do Led Zeppelin em londres, mas essa eh uma outra estória para outra postagem em outro Blog. 
O mais engraçado para agora, é por que falar do passado em um blog diário, e um falar tão breve de três anos... Bem eu disse que o lugar era complexo, na décima palavra desse mesmo post, mas não é esse o caso. O caso é que essa primeira postagem é o ecótone para a minha nova vida. Ouro Preto passou com diversas vivências e experiências, aprendi o meu ser verdadeiramente fotográfico lá, com bons professores e um ótimo mestre. Mas é uma cidade tão pesada que parece que o frio das costas ainda não saiu, que o acordar de manhã será pelas batidas do sino, ou pela buzina do trem... Eu não sei o que é Ouro Preto, talvez seja Neverland, ou talvez seja um ponto no google maps próximo a BH. Eu sei o que Ouro Preto fez a mim, a isso eu sei bem, foi a melhor cidade até mesmo no que foi ruim, por tanto, eu posso começar um diário sem falar do dia em que nasci, mas não posso começar sem falar do dia em que acordei. Matheus Arêdes de Muriaé a Ouro Preto de Ouro Preto para...

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